GRUPO RETINA - UM NOVO OLHAR PARA A VIDA

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Perdi a visão. E agora?

Por: Paulo Sergio Grandi – Psicólogo Clínico
e-mail: paulo.grandi@yahoo.com.br - cel. 98419-2070

Antes mesmo de nascermos nos projetam a “perfeição” que deveremos ser e nos apresentar ao mundo, como forma de satisfazer os anseios de nossos pais. Assim somos incubidos de ser e realizar tudo aquilo que eles próprios gostariam de ter vivido e não o conseguiram, então chegamos a esse mundo onde a estética se sobrepõe a uma forma legítima e própria de existir, onde a beleza física, a posição social e o desenvolvimento intelectual são ditados por modelos midiáticos, que tem por função gerar conflitos pessoais e interpessoais que garantam a manipulação e o controle das massas por aqueles que controlam o poder, seja de que ordem for; econômico, político ou religioso, visando a ampliação e perpetuação deste poder.
            O sentimento de inadequação tem se tornado cada vez mais intenso na maioria das pessoas, devido a estes modelos de perfeição e felicidade inatingíveis. Assim no decorrer da vida, ao nos depararmos com qualquer limitação poderá nos levar a este sentimento de inadequação e nos causar sofrimento se não tivermos uma estrutura emocional sólida.
            Se nasci com deficiência visual, ou se perdi parcial ou totalmente a visão, como vou viver?
A visão, sem dúvidas, é uma das principais formas de percepção e interação com o mundo externo, pois nos permite infinitas possibilidades de interagir, como a locomoção, a contemplação de pessoas, coisas e paisagens. Orienta-nos na manipulação de objetos na prática do dia-a-dia, no lazer, no trabalho e tantas outras possibilidades. É indiscutível a importância da visão em nossa vida, porém na falta parcial ou total desta função surge a angustia , o medo e o desespero. O que fazer? Como viver?
            Todo ser humano é dotado de plenos potenciais de desenvolvimento. Desta forma devemos desenvolver uma percepção consciente de nossa realidade que é composta de nossas potencialidades e limitações e que determinarão a finalidade de nossas vidas, assim se faz necessário que eu desenvolva minha identidade própria, fazendo minha diferenciação com o outro, reconhecendo os elementos que compõe minha vida. como  na máxima,"Conhece-te a ti mesmo"inscrita no Templo de Apolo em Delfos.
            A principal forma de relacionamento é aquela que eu estabeleço comigo mesmo, é aquela que permanece e permite o desenvolvimento quando eu aceito e permito a transformação a cada necessidade de mudança, abrindo-me a novas possibilidades de existir, como dizia o Filósofo exitencialista Sartre, o homem não é livre para ser qualquer coisa, ele é livre para ser o que é profundamente.
            Então diante da falta da visão podemos e temos todo potencial para encontrar uma forma pessoal e singular de viver, nos adequando emocionalmente a esta realidade e fazendo uso não só dos recursos interiores, mas também dos recursos externos, como o bom relacionamento com as outras pessoas, sem medo, sem melindres ou qualquer outra forma que nos diferencie do outro de forma negativa. Devemos ainda nos apropriar das mais diversas tecnologias desenvolvidas para facilitar e permitir que tenhamos acesso a vários elementos que nos possibilitam o acesso ao trabalho, ao estudo, ao lazer e as relações interpessoais de forma plena.
            Em outra frase, Sartre nos diz, "Não importa o que a vida te deu, o que importa é o que voce faz com o que a vida te deu", então mesmo diante das grandes perdas devemos nos permitir a transformação, pois são as adversidades que nos impulsionam para o novo que garantirá nosso pleno desenvolvimento como seres humanos, permitindo que tenhamos uma relação mais autêntica conosco e com o mundo e que nos fortalecerá em nossas fragilidades e não permitirá nos perdermos na animosidade das outras pessoas.
            Sem a transformação e a consciência de nossos potenciais e limites, sem a consciência de que a vida é feita de ciclos, não teremos consciência de nós mesmos, porém, diante de nossa fragilidade e impotência para lidar com estas questões podemos e devemos recorrer à ajuda de um ente querido, um amigo, uma instituição ou até mesmo um profissional gabaritado para isto.
            Termino esta matéria com uma das mais belas e significativas frases dita por Antoine de Saint-Exupéry, descrita no livro “O Pequeno Príncipe” de sua autoria:
"Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

 

 

O GRUPO

O Grupo Retina foi fundado em outubro de 1999 e é uma organização civil sem fins lucrativos, formada para dar apoio e informações para pessoas afetadas pelas doenças degenerativas da retina como a Retinose pigmentar, Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), Stargardt, Síndrome de Usher entre outras. O Grupo Retina também dá total suporte aos familiares e amigos destas pessoas.

Recentemente o tratamento para a Degeneração Macular Relacionada à Idade desenvolveu-se consideravelmente. E o desenvolvimento da ciência neste século permite-nos acreditar que, a médio prazo, haverá meios de tratar outras doenças da retina.

O Grupo Retina também busca informações sobre os recursos existentes nas áreas de reabilitação, recursos ópticos, informática (programas com recursos de sintetizadores de voz), direitos dos portadores de Doenças Degenerativas da Retina, de modo que nos permita um suporte cada vez melhor para enfrentar as dificuldades que a limitação visual traz.

Mantemos contato com entidades similares nos Estados Unidos, Canadá, França e Itália como a Retina Internacional (RI) e a AMD Alliance. A Retina Internacional, por exemplo, além de captar recursos para pesquisa das doenças da retina, organiza um congresso a cada dois anos, ocasião em que divulga as mais recentes descobertas científicas.

Acompanhamos e participamos desses congressos e divulgamos seus resultados aos nossos membros e aos médicos oftalmologistas. Além disso contamos com o apoio de oftalmologistas especializados em retina e em visão subnormal.

Anualmente, o Grupo Retina realiza evento com renomados palestrantes que expõem e respondem inúmeras questões sobre doenças, avanços das pesquisas, visão subnormal, reabilitação, possibilidades no mercado de trabalho e aspectos psicológicos.

Nosso Grupo também possibilita aos portadores de doenças degenerativas, a oportunidade de se relacionarem com outras pessoas com doenças semelhantes, trocar experiências e aprender mais sobre as doenças de retina e como conviver com elas.

Presidente: Maria Julia da Silva Araújo
Presidente da Comissão Científica: Dra. Juliana M. Ferraz Sallum

E-mail: gruporetina@gruporetina.org.br